Discutir arbitragem é fundamental para quem quer evoluir nas quadras. Já abordamos aqui a diferença entre let e stroke, mas como devemos agir diante de casos não rotineiros?
Foi uma jogada singular em um jogo de fim de semana que me fez refletir sobre um tipo inusitado de interferência no jogo de squash.
Dá uma olhada no vídeo a seguir, são apenas 25 segundos:
Na ocasião, eu (de camisa azul), ao correr em direção à bola, tive minha raquete derrubada no chão pelo meu amigo.
No reflexo — ou no instinto de sobrevivência do ponto! — usei a mão para executar a jogada, na zoeira mesmo.
E não é que deu certo? A bola bateu na parede frontal e o adversário não teve retorno.
Bom, na hora, concedemos o ponto a quem derrubou a raquete, mas será que essa foi a decisão correta segundo a regra?
Por ser uma pelada de fim de semana, o placar foi o que menos importou, mas o lance deixou aquela pulga atrás da orelha.
Afinal, não é todo dia que nos deparamos com esse tipo de interferência no jogo de squash.
O que você marcaria nessa situação, se fosse o árbitro?
Para resolver esse mistério, procurei ajuda.
Lancei o questionamento no fórum de Squash do Reddit e, claro, fui direto à fonte: as regras!
O ponto central aqui é a definição de um “bom retorno”. Segundo o item 6.2 das regras, um retorno só é válido se:
- 6.2.1: A bola for golpeada corretamente antes de quicar duas vezes no piso.
- 6.2.2: Sem tocar em nenhum jogador, roupa ou raquete, ela bater na parede frontal (acima da lata e abaixo da linha de marcação da quadra).
O detalhe aqui está na definição de “corretamente”, que encontramos no Apêndice 1:
- Corretamente: Quando a bola é golpeada com a raquete, segurada na mão, não mais de uma vez, e sem contato prolongado com a raquete.
Conclusão imediata: A minha jogada com a mão não foi válida.
O ponto não poderia ter sido meu, mesmo que a bola tenha morrido na frente.
Mas se o meu golpe foi inválido, o que deveria ter sido marcado?
Let, Stroke ou Distração?
A discussão no Reddit foi unânime: no meu caso, a marcação correta seria let. Mas por que não stroke?
A resposta está no item 13 das regras, que trata especificamente de objetos caídos na quadra.
O tópico 13.3 é exatamente o que ilustra a confusão do meu vídeo:
- 13.3 O não batedor que deixa cair a raquete por conta de um contato durante o esforço do batedor para alcançar a bola pode apelar por um let, e a Regra 12 (distração) é aplicada.
Traduzindo: o fato de a raquete ter caído não dá o ponto automaticamente (nem para um, nem para outro).
O que deveria ter acontecido era a interrupção da jogada para o pedido de let.
O complemento da regra 13.3 é o item 12 que trata de distração.
Ela permite que qualquer jogador solicite um let por distração, mas, e aqui está o detalhe, o pedido deve ser feito imediatamente.
Naquela fração de segundo, é muito difícil ter a frieza de parar o jogo e pedir o let antes de tentar a bola com a mão.
O batedor acabou tentando a sorte (ou a zoeira).
Porém, como bem reforça o item 10.7, em qualquer situação de dúvida ou apelo, a palavra final é sempre do árbitro.
E quando o jogador derruba a própria raquete?
Para não restar dúvida, vale a pena ver como os profissionais lidam com isso.
No jogo entre Diego Elias e Tarek Momen, no Channel Vas 2017, houve um lance de queda de raquete.
Diferente do meu caso, em que o oponente causou a queda, ali o próprio jogador deixou a raquete escapar.
E a regra é implacável: se você mesmo derrubou seu equipamento, é sua responsabilidade tentar recuperá-lo para continuar a jogada.
O jogo segue, a bola continua viva e não há “pedido de desculpas” ou “let amigo” por conta de um erro próprio.
A regra é nossa melhor parceira
No fim das contas, a interferência no jogo de squash é inevitável.
Como disputamos um espaço compartilhado, erros de percurso e colisões vão acontecer.
O segredo não é tentar ser perfeito, mas entender as regras para não deixar a emoção do momento invalidar um ponto ou gerar discussões desnecessárias.
Como vimos, saber a hora de pedir um let ou assumir a responsabilidade por um equipamento que caiu faz toda a diferença entre um jogo travado e uma partida fluida e técnica.
Todos estamos sujeitos a erros, mas é muito melhor que ocorram por nossa natureza humana do que por puro desconhecimento das normas.
Afinal, no dia a dia dos clubes, somos nós, os jogadores, que assumimos o papel de jogadores e árbitros para manter o squash.

E na sua quadra, como costuma ser?
Já passou por uma situação parecida ou viu alguém tentar “dar um jeitinho” na regra?
Que tal compartilhar este post com aquele seu amigo que adora um let polêmico?
Quer conhecer mais?






