Sumário
Todo esporte tem seus grandes causos, estatísticas curiosas e lendas incontestáveis.
Mas, como aqui a nossa quadra é de squash, a gente sempre dá um jeito de puxar a brasa para a nossa sardinha — e, quando a história é boa de verdade, melhor ainda, né?
Nós sabemos o quanto o squash é fantástico (afinal, é por isso que o blog existe!).
Além de jogar, é sempre bom conhecer histórias de sucesso que nos inspirem.
É por isso que hoje vamos falar sobre a história mais espetacular do esporte.
Este post é dedicado à saga da família paquistanesa Khan, um clã que simplesmente dominou o squash mundial no século XX.
A jornada deles é tão absurda que até o jornal britânico The Guardian já a retratou como a dinastia mais impressionante do mundo do esporte.
Bora entrar em quadra e conhecer como tudo isso começou?
Hashim: de gandula à lenda do British Open
No final do século XIX e no início do século XX, as forças armadas britânicas estabeleceram diversos clubes de squash no noroeste da Índia.
Foi em um deles, na cidade de Peshawar, que a nossa trama ganha vida por meio de um jovem chamado Hashim Khan.
Acredite se quiser: Hashim trabalhava como gandula.
Ele era um garoto pequeno e magro que, à primeira vista, não parecia ter o biotipo de um futuro campeão. Mas a vontade de estar em quadra era insaciável.
Durante a noite, quando os oficiais britânicos iam descansar, Hashim pegava uma raquete e jogava descalço, sozinho na calada da noite, rebatendo a bola contra a parede incansavelmente.
Com uma obstinação fora do comum, o jovem gandula foi subindo de patamar.
Transformou-se em treinador e, logo depois, em um jogador profissional letal.
Hashim faturou o primeiro campeonato indiano, o primeiro paquistanês e cruzou o oceano para vencer o cobiçado Aberto Britânico (British Open) por incríveis sete vezes.
Foi exatamente ali que a história mais espetacular do esporte começou a ganhar o mundo.
Para se ter uma ideia do tamanho desse feito, o autor James Zug, no livro “Squash: uma história do jogo“, cravou que nem Hollywood conseguiria inventar um roteiro tão romântico e heroico quanto o da trajetória de Hashim.
Esse foi apenas o pontapé inicial de um domínio absoluto que durou quase 50 anos!
A hegemonia foi de 1951 (quando Hashim ganhou seu primeiro British Open) até 1998, ano em que Jansher Khan, descendente de outro ramo da família, perdeu a final do British Open para Peter Nicol.
O portal squashsite.co.uk resume muito bem a essência guerreira do clã, traçando as raízes da família até o perigoso vale montanhoso do Khyber Pass (na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão).
Segundo a publicação, assim como sobreviver àquela travessia era uma questão de princípio, ser o melhor do mundo no squash tornou-se uma missão, quase um dogma, para qualquer membro da família Khan.
“nossas raízes podem ser traçadas para o vale da montanha Khyber Pass, e assim como perpassar esse caminho era dogmático, ser o melhor no squash também era o objetivo de um membro da família Khan”
Retratado em squashsite.co.uk
Hashim e Azam: a era dos irmãos
Com o nível de Hashim atingindo um patamar estratosférico, ele logo se deparou com um problema inusitado: não havia adversários capazes de acompanhá-lo.
A solução? Ele começou a treinar seu irmão mais novo, Azam Khan, para ser seu sparring e parceiro de treinos.
O resultado dessa mentoria caseira não demorou a aparecer. Em 1954, os dois irmãos já estavam se enfrentando frente a frente na final do British Open.
Hashim levou a melhor daquela vez, mas o caçula não ficou para trás. Azam absorveu as lições e se tornou campeão do torneio entre 1959 e 1962, faturando também o cobiçado US Open em 1962.
Essa fome de vitória inesgotável não era por acaso.
A lenda do nosso esporte, Jonah Barrington, que ficou famoso por classificar o squash como uma espécie de “boxe com raquetes”, afirmou certa vez que a família Khan via-se como verdadeiros guerreiros.
E cá entre nós, encarar um esporte tão duro e exigente com essa mentalidade é exatamente o que separa os bons jogadores das lendas eternas.
Jahangir: a maior invencibilidade da história
Se você acha que o domínio se encerrou com os irmãos Hashim e Azam, prepare-se para a segunda parte dessa saga.
Entra em cena Roshan Khan (parente da dupla por casamento), que também brilhou no circuito profissional.
Mas o grande enredo dessa geração envolve seus dois filhos: Torsam e Jahangir. A jornada, infelizmente, teve um momento de profunda tristeza.
Em 1979, o primogênito Torsam faleceu tragicamente, ainda muito jovem, vítima de um ataque cardíaco durante uma partida de torneio na Austrália.
Apesar do luto e de ser uma criança que convivia com problemas de saúde, o jovem Jahangir decidiu honrar o irmão e assumiu para si o mantra da família.
Ele não apenas superou suas limitações físicas, como também se tornou, para muitos, o maior jogador de squash de todos os tempos.
Sem dúvida, ele foi o responsável por escrever o segundo capítulo da história mais espetacular do esporte.
O segredo de Jahangir? Uma rotina de treinamentos que faria muitos atletas de elite “pedirem penico”. Seu preparo físico era levado ao extremo:
- Longas corridas matinais
- Sessões pesadas de musculação
- Drills incessantes com a raquete para beirar a perfeição técnica
- Tiros curtos de movimentação na quadra até a exaustão
Ele detalhou grande parte dessa filosofia implacável e de sua mentalidade vencedora no livro “Winning Squash“.
O resultado de tanto suor na quadra se materializou em um recorde mundial insano e até hoje inquebrável.
Jahangir Khan simplesmente não perdeu uma única partida oficial durante cinco anos e oito meses (de 1981 a 1986).
Foram 555 jogos invictos consecutivos. Um verdadeiro monstro sagrado do squash!
“Para ser o melhor, eu tive que trabalhar mais do que qualquer outra pessoa”
Jahangir Khan, no livro Winning Squash (1985)
💡 Leitura Recomendada: Quer saber como essa sequência inacreditável de 555 vitórias chegou ao fim? Não deixe de conferir a história sobre Ross Norman em “Acreditar na vitória sempre”.
Jansher: a maior rivalidade do squash
Pensou que a história acabava com Jahangir? A dinastia ainda tinha muito mais trocas paralelas por vir!
No final dos anos 1980, surge Jansher Khan (de outro ramo da família Khan) para manter o legado no topo absoluto.
A transição deu origem a uma das maiores e mais intensas rivalidades da história dos esportes: Jahangir vs. Jansher.
Os dois travaram batalhas épicas em quadra pelo título de número 1 do mundo.
Jansher provou ser uma máquina de vencer:
- Faturou 8 títulos do World Open (recorde absoluto até hoje!)
- Venceu o British Open por 6 vezes
- Liderou o ranking mundial por quase uma década
A lendária hegemonia do clã Khan só encontrou seu ponto final definitivo em 1998, quando Jansher foi derrotado por Peter Nicol na final do British Open.
Essa partida encerrou um ciclo inacreditável de quase 50 anos de domínio de uma única família no topo do squash mundial (de 1951 a 1998).
O legado que nos inspira
Percorrer a trajetória da família Khan, desde as quadras improvisadas de Peshawar até o topo do mundo, nos mostra o poder transformador do esporte.
Eles mostram que disciplina, resiliência e mentalidade podem transformar vidas e levar esperança para onde menos se espera.
Relembrar a história mais espetacular do esporte nos enche de orgulho de sermos squashistas.
Afinal, é na nossa quadra que o impossível se tornou realidade por quase meio século!
Mas agora, diz aí: já conhecia toda essa saga da família Khan? Qual dessas marcas lendárias te impressionou mais?
Compartilha este post com aquele seu amigo que precisa dessa dose de inspiração para o próximo jogo!






