Planejamento anual no squash: como organizar seu ano em quadra

Quando se fala em evolução consistente, um planejamento anual no squash é fundamental. Na verdade, a palavra planejamento deveria aparecer tanto nas conversas entre amigos quanto nas pesquisas de quem procura melhorar o jogo e o condicionamento físico ao longo do ano, e isso vale tanto para quem compete quanto para quem joga por diversão. Em vez de entrar em quadra sempre “no improviso”, pensar em um plano anual simples, mas estruturado, ajuda a transformar boas intenções em resultados concretos, sem perder a diversão.

Ao longo deste texto, a ideia é apresentar um caminho prático para organizar seu ano em quadra. O objetivo não é criar uma planilha engessada, e sim oferecer referências sobre evolução com consistência, foco, superação e estratégias mentais.

Por que ter um planejamento anual no squash

Em um primeiro momento, a pergunta que muita gente faz é: “Preciso mesmo de planejamento anual no squash se jogo só por diversão?”. A resposta curta é que um plano anual não serve apenas para ganhar campeonatos, mas também para organizar sua rotina, reduzir frustrações e aproveitar mais cada sessão de treino ou cada partida.

  • Um planejamento dá direção: em vez de treinar “qualquer coisa”, você passa a saber qual aspecto prioriza em cada fase do ano, seja técnica básica, condicionamento ou tática.

  • Um plano reduz o risco de estagnar: quando o treino repete sempre as mesmas situações, é comum sentir que o nível “parou”; ciclos planejados ajudam a variar os estímulos.

  • A periodização favorece saúde e desempenho: dividir o ano em fases de diferentes intensidades permite que o corpo se adapte e se recupere, reduzindo as sobrecargas típicas de esportes de raquete.

Aqui no blog, já surgiram reflexões sobre como evoluir no squash com consistência, foco e superação, que evidenciam a importância de uma estratégia básica para crescer no esporte. Um planejamento anual no squash é uma forma de tirar essa estratégia do campo das ideias e colocá-la no calendário, conectando o que se faz em janeiro ao que se deseja colher em dezembro.

Estrutura básica: dividindo o ano em fases

Muitos modelos de treinamento esportivo utilizam o conceito de periodização, que organiza o ano em grandes fases (macrociclos), blocos intermediários (mesociclos) e semanas de treino (microciclos). Não é preciso dominar toda a teoria para se beneficiar disso. Ou seja, basta entender uma estrutura simples adaptada ao squash amador.

Uma proposta anual poderia ser esta:

  • Janeiro a março: fase de base

  • Abril a agosto: fase de construção

  • Setembro a novembro: fase de competição ou foco em desempenho

  • Dezembro: fase de transição e reflexão

Fase de base (janeiro a março)

Na fase de base, a prioridade é criar fundamentos sólidos, tanto técnicos quanto físicos. Em vez de se preocupar com resultados imediatos, a ideia é “arrumar a casa”: corrigir vícios, consolidar a mecânica dos golpes e aumentar gradualmente o volume de jogo com intensidade moderada.

Alguns focos práticos:

  • Técnica simples e consistente: trabalhar paralelas, cruzadas e saques com controle, algo muito alinhado ao que já foi discutido sobre jogar o simples e valorizar a precisão em vez da força.

  • Condicionamento geral: incluir exercícios de resistência aeróbia e de força básica para aguentar melhor os deslocamentos intensos do squash.

  • Rotina de treino solo: o treino sozinho em quadra é apontado no blog como uma ferramenta central para ganhar controle e consistência, e esse é o momento perfeito para reforçar esse hábito.

Fase de construção (abril a agosto)

Com a base estruturada, a fase de construção aumenta a intensidade e se aproxima mais das demandas reais de jogo. Aqui, os treinos se tornam mais específicos, com situações táticas, deslocamentos curtos e repetidos, além de simulações de rally.

Alguns elementos-chave:

  • Treinos intervalados: sessões com alternância entre esforços intensos e pausas curtas, imitando o padrão de pontos longos e breves descansos do squash.

  • Tática e estratégia: uso de drills que forçam o jogador a variar alturas, profundidades e direções, conectando-se a temas como “ter um plano de jogo” e “observar o adversário”.

  • Estratégias mentais: incorporar elementos abordados em textos sobre estratégias mentais no squash, como rotinas de respiração entre pontos, metas por game e controle das emoções.

Fase de desempenho (setembro a novembro)

Na fase de desempenho, o foco é aproveitar a base construída e refinar detalhes para jogar no melhor nível possível, seja em torneios, ligas internas ou partidas mais competitivas entre amigos. É um período com menor volume de treino físico geral e maior ênfase na qualidade da sessão, na intensidade e nas simulações de competição.

Pontos importantes:

  • Jogos simulados: organizar partidas com placar real, árbitro informal e pressão de resultado, algo já sugerido nos conteúdos de treinamento aqui no Blog.

  • Ajustes táticos por adversário: aplicar, na prática, ideias de conhecer o “inimigo”, observando os padrões de jogo do oponente para montar estratégias específicas.

  • Gestão de esforço: aprender a reconhecer quando é hora de alongar a troca de bola para cansar o adversário e quando acelerar para fechar pontos, como discutido nas reflexões sobre xadrez e squash.

Fase de transição (dezembro)

Pouco se fala sobre isso no esporte amador, mas uma fase de transição é tão importante quanto a base ou o pico. Trata-se de um período de redução consciente da carga, mais voltado à recuperação física e mental, sem abandonar por completo o contato com a quadra.

Sugestões para dezembro:

  • Menos volume, mais prazer: jogos mais descontraídos, sem tanta cobrança, podem ajudar a “resetar” a mente para o próximo ano.

  • Revisão do ano: registrar aprendizados, pontos fortes e fracos, conectando com a ideia de diários de treino.

  • Preparação de metas para o ano seguinte: já começar a esboçar objetivos e pontos de atenção para o próximo ciclo.

Como montar seu plano na prática

Saber que o ano tem fases é útil, mas o que realmente muda a rotina é colocar isso no papel (ou em um app) de forma simples e objetiva. Não é preciso uma planilha complexa: algumas colunas e critérios já ajudam muito.

Definindo objetivos e prioridades

O ponto de partida é responder com honestidade: “O que quero do squash esse ano?”. Isso pode incluir:

  • Jogar mais vezes por semana

  • Ganhar resistência para não “morrer” no segundo game

  • Corrigir um golpe específico (por exemplo, backhand paralelo)

  • Melhorar o desempenho em torneios internos

Com esses objetivos em mente, por exemplo, se o objetivo é ganhar consistência, talvez faça mais sentido priorizar treinos solo e exercícios de controle de bola na fase de base, em vez de apenas jogos livres.

Transformando objetivos em semanas

Uma vez definidos os objetivos, é hora de pensar em microciclos, isto é, as semanas. Uma estrutura simples pode ser:

  • 2 dias de jogo (partidas)

  • 1 dia de treino técnico (drills, treino solo)

  • 1 dia de treino físico fora da quadra (força ou cardio)

O blog já mostrou que simular partida, focar na qualidade e respeitar o descanso são elementos importantes em qualquer rotina de treinamento de squash. Assim, em vez de lotar todos os dias de quadra, faz mais sentido encaixar descanso e treino complementar, que podem incluir fortalecimento de pernas, core e ombros para suportar as demandas do jogo.

Para facilitar a organização, ferramentas digitais como o Polar Flow, citadas em artigos sobre treinamento anual, permitem visualizar semanas, períodos de maior carga e fases de recuperação. Mesmo sem usar esse tipo de app, copiar a lógica de “fases + semanas com foco definido” já traz um enorme ganho para o squashista amador.

Ajustando o plano ao longo do ano

Nenhum planejamento sobrevive intacto ao contato com a vida real: viagens, trabalho, pequenas lesões e mudanças de rotina vão surgir. Por isso, é importante encarar o plano como um mapa flexível, não como uma prisão.

Algumas atitudes ajudam a manter o rumo:

  • Revisar o plano a cada mês: checar o que funcionou, o que não funcionou e o que precisa ser ajustado.

  • Manter registro: usar um diário de treino, como já sugerido, melhora a consciência da evolução e ajuda a lembrar as sensações de quadra.​

  • Diferenciar adaptação de abandono: ajustar volume e intensidade é saudável; abandonar completamente a estrutura costuma levar de volta ao improviso e à frustração.

Conectando planejamento, mente e satisfação em quadra

Um ponto central é que a evolução no squash não deve se basear apenas em vencer. Ou seja, também é sobre aumentar a satisfação com o esporte, conectando foco, consistência e superação. O planejamento anual no squash é uma forma de tornar essa filosofia concreta. Distribua ao longo do ano momentos de construção de base, desafios mais intensos, períodos de alta performance e momentos de descanso planejado.

Quando se associa o plano físico e técnico a estratégias mentais, como observar adversários, ter um plano de jogo e aprender a controlar os momentos da partida, a sensação é de maior controle sobre o próprio processo. Em vez de viver preso à ansiedade por resultados imediatos, o jogador passa a enxergar cada sessão como um passo em uma jornada mais ampla.

No fim, o convite é simples: reservar algumas horas no início do ano para olhar o calendário, revisar seus objetivos, consumir conteúdos sobre evolução, estratégias mentais e treinamento e desenhar um plano que faça sentido para a sua realidade. Não precisa ser perfeito. Precisa apenas ser claro o suficiente para te levar com mais propósito da primeira batida de janeiro ao último ponto de dezembro.

CONTEÚDO DO BLOG

428FãsCurtir
721SeguidoresSeguir
120SeguidoresSeguir
287InscritosInscrever

Curtinha do squashistas

Receba mensalmente atualizações no seu email.